Integração e cooperação se destacam como as principais estratégias para os pequenos agricultores comercializarem seus produtos no mercado externo. 'Se existem mecanismos jurídicos que permitem essa união e, consequentemente, a venda em larga escala, o produtor precisa apostar nisso', afirma Daniel Amim Ferraz, diretor do Departamento de Cooperativismo e Associativismo Rural (Denacoop), órgão ligado ao Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).
E agricultores de todo o Brasil, principalmente do Paraná, contam com esses mecanismos e podem investir na exportação de seus produtos agropecuários, assegura Ferraz. Nesse sentido, acrescenta ele, o Estado está um passo à frente dos demais porque conta com um sistema de cooperativismo que serve de referência para o restante do País. 'Eu diria que o Paraná já está em um segundo momento de intercooperação: une agricultores e também as próprias cooperativas', considera o diretor do Denacoop, que esteve ontem em Londrina para participar do 1º AgroEx - Seminário do Agronegócio para Exportação. A promoção foi da Secretaria de Relações Internacionais do Agronegócio (SRI) do Mapa, com apoio do Sindicato Rural de Londrina.
Para pequenos ou grandes produtores, entretanto, há várias barreiras de exportação a serem vencidas. O principal desafio, conforme Célio Porto, secretário da SRI, é ultrapassar as barreiras sanitárias e fitossanitárias. 'Se o País se tornar livre de febre aftosa sem vacinação é uma grande vantagem', exemplifica Porto, lembrando que o Brasil é considerado área livre da doença apenas com vacinação, com exceção de Santa Catarina. O problema, frisa ele, é que tem muitos países que não aceitam a carne brasileira por conta da vacinação, como o Japão e a Coréia.
Atualmente, os principais mercados compradores do mundo, fechados para a aquisição do complexo de carne brasileiro importam perto de US$ 20 bilhões. O Mapa, de acordo com Porto, trabalha estratégicamente para conquistar essas áreas. Em 2009, o Brasil exportou US$ 65 bilhões. A expectativa para 2010, é que o número seja em torno de 3%.
O Paraná, por sua vez, ocupou o quarto lugar no ranking de estados brasileiros exportadores de produtos agropecuários, com participação de 12,45%. A receita em embarques do agronegócio somou pouco mais de US$ 8 bilhões, com destaque para o complexo soja (óleo, farelo e grão), com US$ 3,28 bilhões, e carnes, que totalizaram US$ 1,78 bi, segundo informações do Mapa.
Para tentar abrir mercados, o Mapa atua em dois sentidos. Conforme o secretário da SRI, se a exigência do País for 'descabida', tenta-se reverter a ideia. Porém se fizer sentido, se realmente estiver ocorrendo uma doença no País, o ministério tenta solucionar o problema junto com os produtores. 'A China só exporta Wet Blue de áreas livres de febre aftosa. Mas não faz sentido porque esse couro de boi já passou por tratamento', cita.
Escala de produção, ou seja, regularidade de fornecimento de produtos, qualidade e marca são outros desafios a serem vencidos. Por isso, acrescenta Porto, a necessidade de se unir e, no caso do Paraná, fazer uso das cooperativas.
Por outro lado, as oportunidades para quem deseja exportar são muitas. Crescimento da população mundial e aumento de renda, ou seja, mais necessidade de alimentos. Para quem deseja exportar, a orientação de Porto é capacitar-se e participar de feiras e missões.