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Está sobrando milho na tulha
08/03/2010
Fonte: Folha de Londrina

 

A pressão de uma boa safra e do mercado abastecido devem seguram os preços do grão; mercado externo é possibilidade real de destino do produto brasileiro

Estoques internos elevados, boa produção e produtividade deverão segurar os preços do milho, seguindo tendência do último ano. Nesta semana, o valor da saca estava em R$ 14,18, bem próximo de ultrapassar a barreira psicológica dos R$ 14,00, fator de pessimismo entre os produtores.

Apesar da redução de 30% da área plantada na safra de verão, a produção paranaense deverá ficar nos mesmos patamares do ciclo anterior: 32,37 milhões de toneladas, apenas 4% inferior que o ano passado, segundo levantamento do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (Seab).

'Os produtores vêm de um ano ruim, com quebra de safra principal e da safrinha e estão endividados', diz Margorete Demarchi, técnica do Deral. Os preços em 2010, segundo ela, vão sofrer a pressão de uma boa safra. 'A média de produtividade é de 7.200 quilos por hectare, mas tem produtor colhendo mais de 8 mil quilos', relata.

Embora a Conab não tenha divulgado nenhum levantamento sobre a intenção de plantio da segunda safra de milho, estima-se que a área plantada será de 4,74 milhões de hectares, cerca de 3,4% menor que a safra passada. A companhia estima que serão colhidas 18,99 milhões de toneladas, cerca de 9,5% maior que a anterior. No ano passado, a quebra do safrinha foi provocada pela estiagem entre os meses de março e maio.

A trajetória dos preços do milho nos últimos anos vem sofrendo os efeitos da produção recorde de quase 60 milhões de toneladas da safra 2007/08, o que resultou num excedente de 12 milhões de toneladas. 'Os estoques de passagem continuam nos mesmos patamares', diz a técnica. Em 2009 havia a disponibilidade de 11,8 milhões de toneladas; no ciclo atual são pouco mais de 11 milhões de toneladas e no final do período a previsão do Deral é que serão 9 milhões de toneladas.

Segundo Demarchi, o mercado mundial também está abastecido. Dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, sigla em inglês) aponta um estoque de passagem de 134 milhões de toneladas na safra 2009/10. 'A produção argentina também vai surpreender este ano, favorecida pelo clima', diz.

O mercado externo é uma possibilidade real de destino do milho brasileiro, segundo a técnica do Deral. 'Já exportamos, mas não existe regularidade. Em um ano vendemos 5 milhões de toneladas: em outro o volume não passa de 1 milhão de toneladas', diz. A redução da oferta americana no exterior, em função da utilização do produto para a fabricação do etanol, abre caminho para o Brasil.

Outro fator favorável aos produtores é o aumento no consumo interno nos últimos sete anos. Segundo o Deral, houve incremento de 21% na utilização do milho (de 38 milhões de toneladas para 46 milhões de toneladas), principalmente na produção de suínos e aves.


Raquel de Carvalho

 

 
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